domingo, 4 de outubro de 2009

Brasileirices II: a Internet

Como alguns de vocês já devem ter reparado, ou porque tentaram falar connosco pela internet ou porque trocaram mails e a resposta demorou séculos a chegar, a nossa internet não é das melhores!
Na verdade, não sabemos bem porquê mas a nossa casa é mesmo a com pior net do condomínio: não dá para ver filmes do Youtube, abrir o mail da Sapo só é possível às 5h da manhã, já para não falar da quantidade de vezes que a internet nem sequer existe ou cai a meio.
Ora bem, depois de muito nos queixarmos, o capataz cá do condomínio resolveu tentar várias abordagem para nos tentar solucionar o problema:


A primeira ideia foi furar a parede num local estratégico, pois a casa dele é geminada com a nossa, e assim podia-se enfiar a antena do router delo pelo buraco, o que supostamente melhoraria a nossa cobertura de internet...
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... estranhamente, isso não funcionou! (olha ali a pontinha da antena, tão ingenuazinha...)
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A alternativa seguinte foi a de chamar um técnico que instalaria um router próprio no nosso apartamento. Lá veio o senhor com o router, uma grande conversa e tal. Quando vimos o resultado final, chegámos à conclusão que a Joana Vasconcelos teria feito a mesma obra de arte, com o pormenor de se poder condiderar arte e vender aquela "instalação" (agora as obras de arte são todas "instalações", que é o nome artístico para "tralha") por um belo balúrdio, talvez ao Berardo.
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Apresentamos ao mundo em primeira mão esta magnífica obra de arte de um artista desconhecido (mas certamente em ascenção...), intitulada "A interleite Tirol"!

P.S.- Hoje de manhã o senhor Mário (o capataz) veio tirar o router porque ao que parece tinha entrado em curto circuito. Nós sugerirmos utilizar-se para a próxima leito magro, em vez de meio-gordo. Entretanto, voltámos à internet do costume. Acho que já estamos a ganhar-lhe carinho!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Brasileirices I: os jacarés

Com este post inauguramos uma panóplia de posts que iremos publicando conforme nos depararmos com algumas curiosidades brasileira que não têm outra classificação que não Brasileirices.

Este, que ando há algum tempo para publicar, ocorre bem dentro dos limites da nossa universidade.
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É um lago, muito engraçado, muito verde, mas... que será aquilo ali ao centro, num verde mais escuro?
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Ah, olha que engraçado, um jacaré! Podia lá ser outra coisa, num lago onde há pessoas a apanhar um pouco de ar puro à hora de almoço! (os outros quatro que já pude ver em amena cavaqueira tinham ido pescar)

Mas o mais engraçado no meio disto tudo é que este lago fica ao lado do Hospital Universitário! Quase que aposto que aqui não há casos de cirurgias que correm mal... o caso dos cegos do Santa Maria aqui em Florianópolis teria tido uma solução muito mais rápida:

"- Doutô, mi djiga, como foi a óperação do Clínio António? Tudo legau não?
- Do Clínio? Oh, máravilha, já tevi alta, não o viu?
- Não doutô!
- Xi, qui istranho, tão devi ter ido áli ao lagu dá pão aus patus..."

No mesmo espaço, mesmo ao lado, há outro lago com uma ilha onde simpaticamente criaram uma ilha para pôr uma casinha para os patos...
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... (como vêem, há mesmo pessoas a passearem-se por ali!)...


... mas se olharmos bem reparamos que os patos não têm direito a usá-a porque alguém com extremo bom gosto achou por bem pôr dois dos sete anões da Branca de Neve na porta a guardar a casa (eu suspeito que sejam o Soneca e o Dunga!).
Azaritos, agora os patinhos que fiquem cá fora que a vida é dura para todos. Eu também vim para o Brasil e ainda só apanhei chuva e mais chuva!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A nova coqueluche cá de casa


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Com vinte anos de uso em cima e as tábuas todas com muita personalidade, o nosso "novo" sofá é quase tão confortável quanto uma cadeira forrada a pregos...

domingo, 20 de setembro de 2009

Florianópolis city

Não sei se têm bem noção, mas a Lagoa da Conceição, onde se encontra a nossa querida casa, não é propriamente o centro de Florianópolis. Aqui onde estamos é a zona balnear da cidade, como a Costa da Caparica é para Lisboa.
Um dia enchemo-nos de coragem, acordámos cedo (vá, não foi assim TÃO cedo...) e fomos desbravar o centro. Aqui estão as fotos dessa bela passeata:
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Nós acabados de chegar ao centro...
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... e enfiámo-nos logo na feira lá do sítio!
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Lá a classe é tanta que a dúzia de ostra custa cerca de 1,3 euros!
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Entretanto decidimos jantar pelo mercado, e comemos um belo peixinho!
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Seguiu-se o roteiro cultural, que nos levou ao museu mais pequeno do mundo (cerca de uma sala), o Museu Histórico de Santa Catarina! (histórico... tem 100 anos!)
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Fomos também à figueira centenar, grande como tudo!
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E aqui o André e o Valter sentados nas escadas da Catedral Metropolitana (como eles gostam de dar nomes grandiosos!) onde cabem cerca de 50 pessoas!

Mais fotos podem ser consultadas no nosso blog de fotos, mesmo aqui ao lado --->

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A aldeia da roupa branca

Sempre ouvi dizer que a necessidade aguça o engenho... e nós somos a prova disso!
Em Florianópolis chove há três dias quase sem parar e nós estavamos MESMO a precisar de lavar roupa. Aqui o condomínio tem uma máquina que finge que lava a roupa, e nós fingimos que ela está lavada, mas até aqui tudo bem. Acontece que depois, na hora de estendê-la, ve-mo-nos reduzidos a um estandal daqueles portáteis em que mal cabem dois pares de meias, mas pensámos" Ok, tudo bem, há cadeiras no terraço coberto, vamos por mas é tudo lá", até porque aquilo funciona quase como uma estufa. Tudo ok, roupa espalhada tal qual na feira do relógio, maravilha mesmo... até que aparece o novo vizinho brasileiro a querer fazer uma churrascada!
-"Incomodo?"
-"Não, claro que não, qual quê!" (leia-se "claro que incomoda, vamos ter que tirar a roupa toda daqui senão fica a cheirar a fumo e pô-la toda noutro sítio. Incomoda lá agora!")
E agora, arranjar outro sítio? Obviamente que a escolha recaíu na nossa própria casa!
A feira ficou assim montada lá em casa:
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Um porta cabides a mostrar outras funcionalidades! A fila de baixo, cheia de boxeurs, é um atacador a fazer as vezes de corda da roupa. Ao lado, o armário que devia ter um belo serviço de cristal da Atlantis mas que na verdade tem cebolas, alhos, arroz e tudo o que há de mais nobre numa dispensa, sofreu uma invasão de meias entaladas nas gavetas!...
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... e o ferro de baixo, que toda a gente despreza, ficou com as meias que são pequenas de mais para tocar no chão!
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Uma panoramica geral da nossa kitinete...
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... e aqui do nosso quarto! É de chamar à atenção para o varandim do cortinado que, à falta deste, passou a servir de estendal, assim como as cabeceiras das camas (a toalha até parece estar seca, mas não, também foi lavada!)
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Aqui temos o quarto do André, onde ainda coube uma cadeira com umas peças de roupa. (O André pedi-me que fizesse referênca aos novos cortinados dele, que na foto parecem muito bonitos, mas que, para além de terem cores e argolas diferentes, pareceque são feitos de um material vindo directamente da NASA)
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E aqui na última fotografia uma perspectiva da cozinha. Pensam que as toalhas estão a uso? Não, também estão a secar!
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E pronto, assim se secam duas máquinas de roupa!
Enfim, são estes pequenos nadas que nos enchem os dias de alegria!
Cá por casa está tudo bem, a mesma pasmaceira de sempre, obrigado!
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P.S.- Ao pé de nós o McGuiver é um menino! E a Joana Vasconcelos que se cuide!

Os nossos outros vizinhos... mas desta vez metem nojo!

Esta vizinha tem uns bons 8 centrimetros e a ela é que eu não dou de comer!
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

A Independência explicada às crianças

Na sexta feira, que é dos cinco dias em que não temos aulas, fomos a uma escola primária ver como é que uma professora explica aos pequenos brasileirinhos porque raio é que eles na segunda-feira não iam ter aulas, embora a diferença entre ter e não ter aulas não seja grande:

(ler com sotaque brasileiro)

“Meninos, há muito, muito tempo havia um principe português chamado Pedro. Este príncipe era príncipe porque o seu pai era o rei de um país muito, muito longínquo chamado Portugal. Nesse país havia uns problemazitos com uns senhores muito maus chamados franceses, e como o Rei, que se chamava João, tinha alergia a franceses, resolveu vir passar umas férias no Brasil e pagou a uns senhores ingleses para mandarem os franceses para fora de Portugal que ele não queria chatices com gente dessa laia.

Acontece que, já os franceses tinham regressado à França cheios de dói-dóis da porrada que tinham levado em Portugal e o Rei João não havia maneira de voltar para lá. É que ele gostava muito do Brasil e beber água de côco servida na praia por uma brasileira gostosa tem outro encanto, embora agora na Costa da Caparica também haja o mesmo tipo de serviço, e até outros mais arrojados.

Mas um dia lá teve que ser, o Rei João meteu-se num barco para Portugal e deixou o seu filho Pedro a mandar no Brasil.

O príncipe Pedro tinha crescido no Brasil, tinha amigos brazucas e tinha-se fartado de engatar brasileiras, quando o seu pai o mandou regressar para Portugal que já estava a ficar tarde e ele podia-se constipar, o príncipe Pedro fez birra.

Mas como dantes não havia internet, as pessoas escreviam cartas e elas iam de barco do Brasil para Portugal, que estão longe para burro. Ainda por cima os barcos dantes não tinham motor, portanto a birra do Pedro durou uma data de tempo, tanto que já nem ele se lembrava muito bem porque é que estava a fazer birra, o que também é normal quando se faz birra.

Houve um dia que o Rei João já estava a ficar farto da birra do príncipe Pedro e disse-lhe que, ou voltava para Portugal (e aproveitava e levava a Xica da Silva com ele que o rei estava com uma dor de costas que só ela poderia curar...), ou então ele punha-o de castigo na Trafaria.

O Pedro recebeu essa carta quando estava a fazer xixi para um riozinho chamado Ipiranga, ali numa terreola chamada S.Paulo. Quando leu a carta do pai, o Pedro ficou tão chateado, tão chateado que, mesmo sem lavar as mãos nem nada (o que é uma grande porcaria), deu um grito: "Independência ou Morte!". Como ninguém percebeu muito bem o que ele estava a querer dizer, já que os brasileiros nunca percebem o que os portugueses dizem, o príncipe Pedro lá teve que explicar que, a partir desse dia, 7 de Setembro de 1822, os brasileiros já não tinha que obedecer ao que Portugal queria.

Os brasileiros continuaram sem perceber o que o Pedro estava ali a dizer, e então fizeram uma grande festa, porque os brasileiros festejam pela mesma razão que as crianças fazem birras.

Nessa festa puseram uma coroa ao príncipe Pedro que, como tinha bebido cachaça a mais e já estava de olho na Xica da Silva, disse que a partir de agora ele chamava-se Imperador D.Pedro I do Brasil e disse arrebenta a bolha para os nomes que lhe chamavam até então. Como os brasileiros não perceberam nada do que ele disse, disseram-lhe que sim, porque os brasileiros nunca dizem que não.

Passaram-se uns anos até que o irmão do Imperador D.Pedro, o príncipe Miguel, começou a fazer asneiras lá por Portugal e os portugueses pediram ao Pedro se não podia dar lá um saltinho para dar tau-tau no irmão a ver se ele deixava de ter o pito as saltos. Disseram-lhe que se ele fizesse isso passavam a chamar-lhe Rei D.Pedro I de Portugal, e que até podia acumular o título com o brasileiro.

O Pedro, que já começava a estar farto do forró, do sertanejo e do samba, já que no Brasil não se ouve mais nada, achou que essa ideia era "légau" e lá foi ele mais a Xica da Silva, pois embora o pai já tivesse morrido, volta e meia ele também precisava que ela lhe tirasse as dores de costas.

E pronto meninos, agora vamos lá para fora apanhar cana de açúcar enquanto ouvimos o "Você é ciumenta", que hoje ainda só ouvimos trezentas e quarenta e sete vezes..."